Resenha

[Resenha] Coroa da Meia-Noite

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Coroa da Meia-Noite

No original "Crown of midnight" - segundo volume da série Trono 
de Vidro -, escrito pela estadunidense Sarah J. Maas, com 406 pági-
nas e publicado no Brasil pela Galera Record.

"E a jornada não é mais importante que o destino?"




Celaena Sardothien venceu a competição que definiria o novo Campeão do Rei de Adarlan e agora precisa servir ao homem que ela mais detesta e teme. Uma de suas obrigações como Campeã é matar os inimigos do Rei  uns por capricho e outros por razões políticas —, mas quando rumores sobre um levante contra o soberano percorrem o castelo de vidro, Celaena se vê obrigada a ter que matar pessoas que antes foram até seus amigos.

Ao mesmo tempo, a jovem precisa descobrir qual é a fonte obscura e maligna sobre a qual a rainha feérica Elena a alertou. Assim, entre lições sobre as marcas Wyrd com a princesa Nehemia, treinamentos físicos com o capitão da Guarda, Chaol Westfall, e conversas com aldrabas mágicas e bruxas perigosas, Celaena vai aos poucos desvendando charadas e mistérios que escondem verdades terríveis sobre coisas que ainda estão por vir.



Aqueles que chegaram recentemente no Bibli talvez ainda não saibam, mas eu sou perdidamente apaixonada pela série de "Trono de Vidro" desde que terminei a leitura do primeiro livro (resenha aqui). A história de Celaena Sardothien ganhou forma quando a autora novata Sarah J. Maas se perguntou o que aconteceria se a Cinderella fosse ao baile não para dançar com o príncipe, mas para matá-lo. Nesse segundo volume, porém, pode-se dizer que a Cinderella ficou para trás.

A Celaena que amava bailes, doces, cortejos e adagas deu lugar a uma Celaena mais consciente do perigo que a cerca. Ainda assim, seu forte senso de auto proteção junto com o seu egoísmo trouxeram um alto preço à assassina  e aos leitores, claro, porque, MEU DEUS, "Coroa da Meia-Noite" é um daqueles livros para mandar tweet pro autor com um HOW DARE YOU bem grande!!! Fangirlices à parte, o que eu quero dizer é que nessa continuação, a Maas não só explorou mais a fundo a história como também foi bem mais ousada.



No começo da leitura, eu estava achando tudo mais parado, mais calmo e até mesmo mais frio. "Trono de Vidro" teve uma carga de humor sarcástico muito forte e em "Coroa da Meia-Noite" sobrou para Mort (♥), a aldraba falante, pontilhar aqui ou ali com as suas ironias. Nehemia se interiorizou mais, presa nos próprios problemas e conspirações. Dorian () deixou o cortejo de lado para ganhar maturidade e participar mais das decisões políticas. A ação cedeu espaço para os diálogos, as pistas previsíveis do primeiro livro foram todas logo de cara confirmadas, e até mesmo o triângulo amoroso não se sustentou. O coração de Celaena fez a sua escolha e o romance ocupou uma parte importante do início para o meio do livro.

"Ela fora encontrada na cama deles - depois de terem sido mortos. Então, deve ter fugido até encontrar o lugar em que a filha de um nobre de Terrasen poderia se esconder: o Forte dos Assassinos. Celaena aprendera as únicas habilidades que poderia mantê-la a salvo. Para escapar da morte, se tornara a morte." [pág. 287]



"Algumas coisas a gente ouve com os ouvidos. Outras ouvimos com o coração." [pág. 168]

Até aí tudo bem; eu estava tranquila, matando as saudades dos meus personagens favoritos e da narrativa fantástica da Maas e de vez em quando captava novas pistas para desvendar a teia de mistérios do livro. E então... tchrãn, "Coroa da Meia-Noite" tomou um rumo totalmente inesperado para mim. Celaena se tornou extremamente sombria e implacável; tudo que foi construído no começo desmoronou e o núcleo de magia feérica e demoníaca retomou com tudo. A ação? Sensacional, rítmica, adrenalina pura de fazer eriçar os pelos dos braços. Me deixou sem fôlego da página 290 (+/-) até o fim, e é tudo tão bem descrito que dá para montar um filme na sua cabeça com as cenas. Devo ter gritado "Sai daí, Celaena" umas cinco vezes, "Corre" umas dez e um "Awesome" a cada virada de página.

"Coroa da Meia-Noite" foi, portanto, a fisgada certeira para prender o leitor na série. Tudo se encaixou e não acredito que nenhuma ponta tenha ficado ainda solta. Ao contrário, como agora as revelações já foram feitas e o leitor já não está tão no escuro, a vontade de saber o que acontece em seguida é maior ainda. Sem falar que Celaena Sardothien é uma personagem fora de série, do tipo que eu não via há muito tempo (ok, ela fez umas burrices nesse volume, mas a gente entende e perdoa rs). Então, para quem gosta de fantasia YA e ainda não foi ler 'Trono de Vidro", só digo uma coisa: corre para ler, camarada, apenas corra porque quando essa série explodir no gosto do público, não vai ter para mais ninguém! ;)


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